segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Madeira envelhecida ?!




Muitos luthiers tem por hábito declarar que seus instrumentos são construídos com madeiras envelhecidas, o que em parte é verdade.
 Alguns chegam a dizer que seus instrumentos são confeccionados com madeiras que foram cortadas entre 30 e 300 anos e isto também pode ser verdade!
Eu sei que existem madeiras com esta idade e até mais velhas que isto e que alguns móveis antigos também podem ser serrados para construção de instrumentos, o problema é que quando se fala em madeira "Aged" ou envelhecida, está se falando do tempo e não da qualidade desta madeira.
 Uma árvore precisa de tempo para amadurecer como qualquer ser vivo, não podemos esquecer  que o mercado não espera e que a todo momento vemos caminhões e mais caminhões de madeira verde aportando nas lojas. Se uma madeira não "amadureceu" o bastante para ser cortada, se não chegou na sua fase adulta, não está estável suficiente para ser utilizada na construção de instrumentos musicais.  Esta mesma madeira cortada na época errada, pode carunchar, rachar, trabalhar demais e jamais vir a ser uma madeira de altíssima qualidade, mesmo depois de envelhecer 200 anos.
 Se apenas o envelhecimento fosse benéfico, poderíamos guardar caixas de maçã por 200 anos e depois estariam perfeitas para a construção de violões.
Madeiras são filtros que permitem a passagem maior ou menor das diferentes frequências, elas conduzem a vibração mas, sem estrutura certamente roubarão vibração, trabalhando de forma errada quando submetidas as tensões das cordas.
Muitos músicos se preocupam mais com o material que o violão é feito, do que com o som propriamente dito.
Precisamos derrubar mitos de que a melhor madeira é aquela que os europeus determinaram... mal sabem eles da variedade que temos e da profusão de possibilidades tímbricas de nossos instrumentos.
Abram os ouvidos!