segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Ação da Umidade em Instrumentos Musicais

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Esta semana recebi uma pergunta muito interessante: " Se eu deixar meu instrumento no case por muito tempo, ele empena?"
Grande parte dos músicos tem mais de um instrumento e normalmente guardam em cases de boa qualidade. Por mais que estes estejam bem guardados, não quer dizer que fiquem isentos da ação da umidade ou ausência dela. Fatores como o calor ou o frio também fazem diferença.
Na verdade, deixar afinado dentro do case não provoca o empeno, mas a ausência de cuidados sim.
Os instrumentos são confeccionados em madeira e madeira trabalha com calor e umidade.
Quando você deixa a sua guitarra dentro do case por longo período, afinada, em cima do armário ou de baixo da cama... não pode esquecer de controlar a temperatura e umidade dentro do case. Existem medidores de umidade e temperatura, bem como umidificadores para instrumentos musicais.
Para desumidificar normalmente se utiliza silica gel em saquinhos, comprada em lojas de produtos químicos e usada de forma muito moderada e pontual. Desumidificar requer conhecimento, pois você pode danificá-lo definitivamente caso passe do ponto.
Quando um violão, por exemplo, está com o braço empenado no sentido da tenção das cordas, a ação está alta e você percebe que a linha do cavalete também está um pouco a baixo do nível da escala, é um sinal de que pode ter sido consequencia da falta de umidade. Podemos tentar reverter este quadro umidificando o mesmo, mas dependendo do tempo em que ficou exposto ( meses) e de como a madeira trabalhou, pode ser necessário uma operação mais incisiva, como plainar parte do empeno para re-alinhar a escala. A ausência de umidade também afeta o bojo, que se for de madeira maciça pode provocar rachaduras por causa da contração. Nos violões de fábrica construidos com corpo de compensado isso é menos visível, mas com o tempo pode provocar retração das folhas e micro rachaduras superficiais.
A quantidade de umidade necessária para um bom funcionamento, tem relação com a umidade em que o instrumento foi construído. Para exemplificar, se seu violão foi construído no Rio de Janeiro e o luthier não se preocupou com o tempo e fechou seu instrumento com uma umidade relativa de 80%, a princípio você não verá diferença, pois no Rio não temos uma variação tão grande a ponto de gerar problemas mais sérios, mas, você tocará em Brasília no mês de julho e a umidade lá está em 30%, você corre grande risco. Se perceber que as cordas de seu instrumento começaram a ficar um pouco altas, é um sinal de que está havendo desidratação. Corra, umedeça toalhas e espalhe pelo banheiro, coloque algum peso sobre o braço de seu instrumento, que deverá estar em cima do case com as cordas emborcadas para baixo. Pouco antes de você ir para o show verifique a afinação e vá! Continue fazendo o mesmo após acabar de tocar e até sair do estado.
No caso contrário a este, se você vai tocar em Manaus e saiu de Brasília, o problema é menor pois a ausência de umidade é muito mais grave do que o seu aumento, o instrumento não racha na dilatação e sim na contração.
O aumento de umidade pode causar um empeno no braço chamado de back bow, o braço empena no sentido contrário ao das cordas, provocando trastejos. Neste caso o que se deve fazer é desumidificar o mesmo, verificando a sua evolução a cada 4 horas dependendo do empeno e da quantidade de silica colocada, este procedimento leva alguns dias. No bojo acontece uma dilatação, o cavalete sobe e você percebe ondulações leves no tampo e fundo.
Existem outros fatores, como: tipo de corte da madeira, construção, espessura das peças, tipos de madeiras, secagem, acabamento... que ajudam ou evitam o aparecimento de problemas.
Por mais que estas informações possam ajudar, não deixe de procurar um luthier treinado, afinal, como eu disse anteriormente você pode danificar seu instrumento sem saber...