quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Construindo Plainas de Madeira

Por Diego de Assis

Para construir uma plaina, a primeira coisa a fazer é adquirir a lâmina e adaptar sua medida de largura ao projeto, com certa folga para o encaixe.
Fiz estas plainas a partir de um artigo da revista Popular Mechanics, que oferece o projeto de três plainas básicas, de acordo com as dimensões das antigas plainas de madeira.
Utilizei ferramentas elétricas estacionárias e manuais. O uso de equipamentos mais sofisticados confere certa rapidez e conforto no processo de fabricação, mas estas plainas podem ser confeccionadas apenas com ferramentas manuais, com a mesma precisão. Neste artigo envolvi a construção das três plainas, apresentando de forma resumida as etapas similares de construção.

O desenho destas plainas é arrojado e simples. São três tipos básicos: a plaina de afagar (a menor), o rabote (a do meio) e a garlopa (a maior).

Fiz algumas adaptações, embora tenha reproduzido com fidelidade o perfil das ferramentas. Usei Roxinho (Peltogyne spp), madeira extremamente dura e pesada. Por isso dispensei a sola da base, que não é absolutamente necessária. É importante que a madeira esteja bem seca.
Preferi atravessar um pino de latão para segurar a lâmina, diferente da peça (cross pin) utilizada no projeto, de madeira. Fiz um punho para a garlopa (a plaina maior), que tornou sua utilização mais segura. Usei lâminas Stanley, inglesas.
Diferente da plaina metálica, a plaina de madeira é leve e pode ser facilmente retificada. Mas é de difícil regulagem, feita de acordo com a habilidade de cada artífice.

Para começar, a madeira deve ser perfeitamente retificada. Utilizei o desempeno e o desengrosso (plainas elétricas estacionárias). Aproveito e faço duas plainas com esta peça de roxinho.

Em seguida separei a peça na serra circular. As peças de menor espessura serão as laterais das plainas. A posição correta para o corte é no sentido tangencial aos anéis anuais.

A marcação é feita transferindo o desenho com papel carbono para a peça do meio (a peça entre as laterais). Este é o desenho da plaina de afagar.

Então cortei a peça na serra circular, com cuidado para não apagar a marcação.

Retifiquei as peças na lixadeira de disco, com lixa de grão 80.

Marquei e cortei as laterais da plaina, de acordo com a abertura da base (saída de lâmina), cuidadosamente aferida com paquímetro.

Estas são as peças prontas para a colagem.

O material é preparado: grampos abertos, protetores de compensado
forrados com jornal e a cola.

Antes de aplicar a cola, as faces foram lixadas contra o veio (arranhadas), para limpar e aumentar a aderência das peças.

Acomodei e grampeei as peças por 24 horas.

Em seguida a peça é modelada, de acordo com o desenho. Na imagem, o rabote após a secagem da cola.

Fiz a marcação nas laterais da plaina…

E na serra-de-fita a peça é cortada, com o cuidado de não apagar a marcação.

A forma básica da plaina está pronta.

As partes convexas são acabadas na lixadeira de disco.

E as partes côncavas são acabadas na tupia, com um cilindro de lixa no eixo.

As arestas (com exceção das arestas da base) foram chanfradas com uma tupia manual. Preferi fixá-la à bancada para melhor manipulação. Utilizei uma fresa para corte em 45º.

Finalizada esta etapa da construção já podia ter idéia das belas peças que estava conformando.

Além da raspilha, para retificar a base utilizei tacos de lixa, de diversos grãos. Na imagem a garlopa, a maior das três plainas.

Com o auxílio de duas réguas verifiquei a retificação da base, a partir das extremidades. As réguas devem estar perfeitamente paralelas.

Com uma sobra de jacarandá fiz a palmeta, de acordo com o projeto. Para o corte utilizei a serra de rodear. Para modelar, formão, lima e raspilha.

Após cuidadosa marcação é feito o furo para a passagem do pino de latão (cross-pin). Utilizei a furadeira de coluna e uma broca chata. A broca deve penetrar as laterais de uma só vez; furar a peça duas vezes, de um lado e outro aumenta a possibilidade de erro.

Para a garlopa adaptei um punho de imbuia, copiado de uma plaina Stanley. O corte foi feito com tico-tico manual e furadeira para as curvas mais acentuadas. A grã da madeira deve estar atravessada em relação ao comprimento do punho. O furo para o parafuso maior é feito antes do corte.

Modelei o punho com grosa, lima , raspilha e lixas dos grãos 100, 150 e 220.

Estas são as peças que compõe a plaina: lâmina com capa de ferro, pino de latão, parafusos de latão, palmeta de jacarandá, punho de imbuia e corpo de roxinho. No acabamento das madeiras apliquei seladora de nitrocelulose.

O punho foi fixado apenas pelos parafusos. Assim, se for necessário pode ser retirado.

Para sua regulagem é preciso encaixar com firmeza a palmeta, e depois empurrar a lâmina com um pequeno martelo, delicadamente, controlando sua posição em cada golpe.

Então, as três plainas básicas. Tem boa performance, embora sejam exigentes na regulagem. Cumprem de forma precisa as funções de corte e retificação de peças, além de apresentarem um belo design em sua forma.

http://diegodeassis.wordpress.com

3 comentários:

Anônimo disse...

boa noite, parabéns pelo trabalho, magnífico, essa madeira utilizada tem uma cor muito bonita, foi feliz na escolha. se você não se importar, vou copiar esse desenho, tentarei fazer uma para mim abraço, alvaro

Jefferson Lewis Velasco disse...

Cara, muito bom mesmo. Fiz uma plaina para mim, baseada no seu projeto, mas com ferro arredondado para escavar a guia de um arbalete artesanal para pesca submarina. A minha não ficou tão bonita, é claro, mas serviu para resolver o meu problema.

Obrigado!

Anônimo disse...

oi tudo bem.gostei muito das plainas ,e gostaria de saber se vc faz por encomenda ,e qual e o valor .um abraço.