segunda-feira, 28 de abril de 2008

Madeiras para Lutheria

Madeiras para Tampo



Abeto Alemão
- German Spruce - (Picea Abies) - Densidade média 0,45 g/cm3

Conhecido no Brasil geralmente como Pinho sueco, esta é a madeira mais tradicional para tampos de instrumentos acústicos. É a madeira geralmente usada para tampos de violão clássico. Demora um pouco a abrir o som, porém continua ganhando nuances no colorido do seu timbre durante muitos anos. Encontrada nas regiões alpinas da Europa, na Escandinávia e nos países do Leste europeu.


Abeto Adirondack - Red Spruce - ( Picea Rubens) - Densidade média 0,45g/cm3

A maioria dos instrumentos da Martin Guitars antes da Segunda guerra eram feitos com esta madeira. Muito boa para qualquer tipo de instrumento acústico com cordas de aço ou nylon. Sua grã é mais desigual e apresenta mais diferenças de colorido que as outras variedades. Lembra muito o abeto alemão na sua sonoridade.Encontrado nas cadeias montanhosas do nordeste dos E.U.A.


Abeto Sitka - Sitka Spruce - ( Picea Sitchensis) - Densidade média 0,40g/cm3

Este é o abeto mais usado para violões de corda de aço devido à sua enorme resistência. Nos violões clássicos tem de ser trabalhado bem fino para que não favoreça muito os agudos. Esta é minha madeira favorita para as estruturas internas do tampo por sua grã fina, regular e sua elasticidade. Tem a coloração mais rosada que os outros abetos. Encontrado no noroeste dos E.U.A, costa oeste do Canadá e Alaska.


Abeto Engelmann - Engelmann Spruce - ( Picea Engelmannii) - Densidade média 0,38g/cm3

Este abeto é o menos denso deles, mas quando tem boa densidade e está perfeitamente quarteado é o abeto favorito de alguns luthiers. Muito leve, resistente e de cor bem branca.Sua grã é fina e muito regular. Abre o som mais rápido do que as outras variedades. Encontrado ao longo das Montanhas Rochosas nos E.U.A e Canadá.

Segundo alguns profissionais, é uma das melhores alternativas para substituir a espécie européia. Ocorre na América do Norte (Montanhas Rochosas - USA e Canadá) sendo considerada a canadense de qualidade melhor do que a americana, já que no Canadá os invernos são mais rigorosos e o crescimento da árvore é mais lento, gerando veios mais juntos e uma madeira mais firme. Tem quase as mesmas características de sua irmã européia com a vantagem de abrir o som mais rapidamente do que a européia.



Cedro Vermelho - Western Red Cedar - (Thuja Plicata) - Densidade média 0,35g/cm3

Esta conífera não é um abeto, porém é uma excelente madeira para tampos. É menos densa e bastante frágil, marca com facilidade, mas produz instrumentos de grande volume e abre o som quase imediatamente. Os timbres não são tão complexos como os dos abetos mais densos, mas produz instrumentos bastante impressionantes. Foi introduzida na luteria de violões clássicos por José Ramirez III nos anos 70 e ganhou popularidade depois disto. Coloração bem mais escura e avermelhada. Encontrada na costa oeste dos E.U.A e Canadá.

Apesar do nome, não tem nada a ver com os gêneros Cedrela (cedro brasileiro) e Cedrus (cedro do Líbano). É uma conífera como os abetos e cresce nas regiões frias do Noroeste da América do Norte. Foi descoberta por acaso por José Ramirez III (Madrid) no final da década de 50, quando este procurava a espécie Cedrela para braços e estrutura interna do fundo. Desde então é uma madeira que ganhou aceitação geral dada a sua abundância e qualidades. É uma madeira que mantém uma ótima consistência e fornecimento. Existem ainda alguns violonistas que detestam o som do cedro - é puramente uma questão de gosto. De todas as espécies para tampo é a dimensionalmente mais estável, gerando som imediato num violão novo com bastante volume.



Madeiras para fundo & laterais



Jacarandá da Bahia - Brazilian Rosewood - ( Dalbergia Nigra) - Densidade média

0,87g/m3

A rainha das madeiras para luteria, preferida como material para laterais e fundo por praticamente todos os luthiers do mundo. Madeira de beleza incomparável e de grande variedade de colorido e figura. Geralmente avermelhada com listras negras, porém as vezes marrom escura ou quase preta. Muito vibrante e sonora, produz um som profundo de timbre muito rico com excelente sustentação Esta espécie exclusivamente brasileira vem sendo explorada comercialmente desde a época do descobrimento do Brasil e por isso suas reservas estão praticamente extintas. Muito difícil de ser encontrada com qualidade suficiente para lutheria, e por isso, extremamente cara para se obter. Sua exploração comercial está banida há vários anos. Encontrada nas regiões de Mata Atlântica do Brasil.

A fama desta espécie data praticamente da descoberta do Brasil.

Em 1557 o francês Jean de Lery descreveu esta madeira como muito escura, dura mas boa de trabalhar e que quando cortada cheirava a rosas, daí a origem do nome em inglês, rosewood. O primeiro instrumento de cordas feito com ela de que se tem notícia foi uma guitarra barroca construída pelo luthier português Belchior Dias, por volta de 1590.

Com um peso específico de 0,87 gm/cm3, o jacarandá (nome tupy-guarany - Yacarantã, ou madeira dura ) revelou-se desde cedo como uma madeira linda em termos de desenhos e sua acústica é superlativa. Sem dúvida é a espécie para os melhores violões de concerto e infelizmente, dada a sua raridade atual, é muito difícil conseguir o bom jacarandá, com bom corte: daí o seu alto preço. É uma madeira muito temperamental rachando facilmente mas a sua beleza e som valem o risco. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) realizou testes com esta espécie, em relação ao jacarandá da India, e o nosso jacarandá é 30% mais sonoro. Vale lembrar que a variação de cor, dureza e som é enorme e somente o melhor Jacarandá é usado nos melhores modelos.


Jacarandá Indiano - Indian Rosewood - ( Dalbergia Latifolia) - Densidade média 0,85g/cm3

Madeira de grande beleza e sonoridade excelente. Timbres ricos e ótima sustentação. O colorido é mais arroxeado do que o do Jacarandá da Bahia, mas também exibe listras negras e bela figura. Mais fibrosa, mais estável e um pouco menos densa que a espécie Baiana. Devido a exploração manejada imposta pelo governo indiano, ainda é comercializada mundialmente e é relativamente fácil de se comprar peças de ótima qualidade.

Como o nome diz, esta espécie vem da India. Enverga muito bem, cola bem, é estável, corte perfeito 80% das vezes e abundante . Com um peso médio de 0,82 gm/cm3 tem uma acústica por vezes plana mas uma boa peça devidamente curtida ( 12 a 15 anos ) e calibrada proporciona uma acústica muito confiável ( vide Romanillos, Fleta, Ruck, Ramirez, etc. ) É uma madeira que começou a ser usada mais regularmente na década de 60.


Jacarandá Mineiro- Santos Rosewood - (Machaerium Villosum) - Densidade média 0,85g/cm3

Madeira pouco utilizada tradicionalmente na construção de instrumentos musicais, porém muito apropriada em suas características físicas e acústicas para isto. Conhecida também como Jacarandá Paulista e Jacarandá pardo. Esta madeira tem a densidade, o timbre e a beleza similares aos jacarandás tradicionais, porém por apresentar coloração parda sofre certa discriminação por parte dos tradicionalistas. Produz instrumentos de excelente sonoridade. Esta espécie foi muito bem cotada pelo luthier inglês Paul Fischer como substituta para o Jacarandá da bahia. Adicionalmente tem a vantagem de ser mais barata que os outros Jacarandás. Encontrada principalmente nas matas de Minas Gerais e São Paulo.


Pau Marfim - ( Balfourodendron Riedelianum) - Densidade média 0,84g/cm3

Madeira de grande beleza e ainda relativamente fácil de ser encontrada nas madeireiras do Brasil, devido à sua popularidade como material de acabamento de interiores de residências e móveis. Sua densidade é boa e similar à dos Jacarandás, apresenta diversos tipos de figuras e pode ter a grã reta ou ondulada como a da faia em diferentes peças. Tem boa estabilidade quando bem seca e quarteada, e uma coloração dourada clara e um brilho muito bonitos. Comparado ao jacarandá, não possui tanta sustentação das notas, guardando-se as devidas diferenças de timbre. Encontrada no Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina principalmente.


Pau Ferro - ( Machaerium scleroxylon) - Densidade média 0,88g/cm3

Também conhecida como caviúna em algumas partes do Brasil, esta madeira tem um aspecto parecido com o do Jacarandá Indiano, porém com mais marrons e dourados entre as listras pretas. Usada geralmente para fundos e laterais, é muito popular no mundo inteiro como madeira para escalas. Produz instrumentos de excelente sonoridade e atualmente é quase tão escassa quanto os Jacarandás. Encontrada em vários estados do Nordeste, Sudeste e Centro-oeste do Brasil.


Macacaúba - Granadillo- (Platymiscium spp.) - Densidade média 0,85g/cm3

Esta madeira tem características físicas quase idênticas as do Jacarandá da Bahia. Sua sonoridade é muito bonita e sua sustentação fantástica. Tem a desvantagem de ser um pouco instável e propensa a rachaduras, mas funciona bem se cortada bem quarteada e bem seca.

Oriunda da Amazônia é uma madeira acústicamente fantástica e a única coisa que não a faz perfeita é a cor já que tradicionalmente cores escuras se usam p/ laterais e fundo de violões de concerto. Sua cor é de um marrom rosa avermelhado e com o tempo fica um marrom terra avermelhado escuro. Seu peso específico está por volta de 0,85 gm/cm3.


Acero (Muito conhecido como Faia) - Maple - ( Acer spp

- Densidade média 0,65g/cm3

Esta madeira tem cor clara e muito brilho natural. Sua sonoridade é diferente dos Jacarandás, pois não é tão profunda e não tem tanta sustentação, mas possui grande projeção e muito equilíbrio entre as freqüências agudas, médias e graves. Usada preferencialmente na fabricação de fundos e laterais dos instrumentos da família do violino e das guitarras archtop acústicas. Madeira bem estável e resistente. Originária das florestas de clima temperado da Europa e da América do Norte.

A madeira mais tradicional para laterais e fundo de instrumentos de arco, foi e é utilizada também em violões. Stradivarius a usou também em algumas guitarras barrocas que fabricou, vários luthiers espanhóis pré-Torres também a usaram. Com um peso específico de aprox. 0,62 gm/cm3 gera um som muito claro e definido, mas sem muita profundidade que os jacarandás proporcionam. Ocorre na Europa e América do Norte.


Imbuia - Brazilian Walnut - ( Ocotea Porosa) - Densidade média 0,65g/cm3

As tábuas mais densas e escuras desta espécie são excelentes para a confecção de violões clássicos. Produz graves profundos e bonitos. Visualmente lembra as madeiras da família dos Jacarandás e a Nogueira americana. Bastante estável e fácil de trabalhar, tem ainda a vantagem de possuir poros bem fechados, que facilitam o acabamento. Encontrada no Sul do Brasil.


Mogno - Honduras Mahogany - ( Swietenia macrophylla) - Densidade média 0,50g/cm3

Esta madeira é realmente polivalente, geralmente utilizada para braços, funciona muito bem como fundos e laterais e até como tampos. Reconhecida como uma das espécies mais estáveis de todo planeta devido à sua grã entrelaçada, ainda é fácil de trabalhar e tem um belo aspecto visual, com sua cor avermelhada e sua variedade de figuras. É uma das madeiras tradicionais para fundos e laterais de violões de cordas de aço, e foi utilizada por muitos dos mestres espanhóis em violões clássicos. Infelizmente devido a sua exploração indiscriminada, está seguindo os passos do Jacarandá da Bahia como espécie ameaçada. Ultimamente está muito difícil de ser encontrada nas madeireiras e seu preço sobe anualmente. Originária da região Amazônica no Norte do Brasil.

Esta espécie amazônica é uma das madeiras mais estáveis do mundo e vem sendo explorada há séculos, principalmente por ingleses. Vem gerando ultimamente muita polêmica por causa da maneira que é comercializada e exportada. Um pouco mais pesada (aprox. 0,60 gm/cm3) do que o cedro, começou a ser usada por luthiers europeus não-espanhóis e hoje é largamente difundida para o uso em braços e estruturas. É a madeira com nota mais alta em pesquisas dendrológicas.


Cipreste Espanhol - (Cupressus Sempervirens) - Densidade média 0,45g/cm3

Madeira maravilhosa, branca, sem poros, leve e de um aroma delicioso. Esta madeira é tipicamente usada em violões flamencos, porém funciona bem em clássicos também, oferecendo grande sonoridade, beleza e projeção. É uma das madeiras favoritas do grande Luthier Romanillos assim como foi do Mestre Antonio de Torres. Encontrada principalmente na costa do Mediterrâneo na Espanha e Itália.

A espécie mais tradicional para violões de flamenco. Originária da Ásia Ocidental, foi introduzida há séculos na bacia do Mediterrâneo. Madeira clara com peso específico de aprox. 0,50 gm/cm3. Está começando a ficar escassa e os preços beirando o preço do Jacarandá Brasileiro. Surprendentemente é a madeira favorita de Romanillos para violões clássicos.


Cedro rosa - Spanish Cedar - ( Cedrella spp.) - Densidade média 0,40g/cm3

Esta é outra madeira com 1001 utilidades, utilizada em braços, fundos, laterais, tampos e principalmente nas peças estruturais do violão. É a favorita para a estrutura interna do fundo, para os blocos internos e para os reengrossos, devido a sua estabilidade e aroma. Dizem que também evita ataque de insetos que se alimentam de madeira como os cupins. É muito resistente, bonita e sonora, apesar de ser um pouco porosa demais. Sua coloração é avermelhada e com a oxidação, ao longo do tempo, escurece para um marrom bem bonito. Apresenta variedades bem mais densas que as outras, que favorece a confecção de braços. Encontrada em várias regiões do Brasil, principalmente na região Norte.

O cedro brasileiro tem 3 espécies: odorata, que ocorre na Amazônia e é o mais leve de todos; fissilis, ou cedro vermelho ou rosa, que ocorre em vários estados centrais e do Sul do país; e angustifolia, que é o mais pesado e raro, ocorrendo em Minas Gerais. Usa-se esta espécie há séculos para braços de violão e estrutura interna do fundo. Seu peso é de aprox. 048,0 gm/cm3 e é muito estável.


Ébano Africano - African Ebony - (Diospyrus spp.) - Densidade média 1,00g/cm3

Outra madeira que anda beirando a extinção. Atualmente está cada vez mais rara, cara e mais difícil de se encontrar com boa qualidade. Sempre foi a favorita para a confecção das escalas de instrumentos musicais devido à sua grande dureza e resistência ao desgaste mecânico. Tem as desvantagens de ser um pouco instável e ter tendência a rachar. Sua coloração negra e exótica cria um contraste muito bonito com o prateado dos trastes. Tem variedades originárias da África Continental, Madagascar e Índia.

Espécie de origem indiana ou africana, é usada para a escala de violões de concerto de qualidade. Muito preta e dura (aprox. 1,10 gm/cm3), é uma das madeiras mais nobres do mundo e usa-se esta espécie há milênios.



Braúna - (Melanoxylon Brauna) - Densidade média 1,05g/cm3

De um marrom muito escuro e sem poros, esta madeira substitui muito bem a madeira africana para as escalas. Após ser tratada com óleo, se torna bem negra e praticamente indistinguível. Não é muito estável, assim como o Èbano, porém se bem seca e com um corte bem quarteado funciona admiravelmente. Tem a vantagem de ser mais acessível e mais fácil de encontrar comercialmente, principalmente em revendedores de madeiras originárias de demolições. Encontrada principalmente no Sudeste e Nordeste do Brasil.


Freijó - (Cordia Goeldiana) - Densidade média 0,49g/cm3

Esta madeira se encaixa na categoria das madeiras alternativas, esta é uma madeira bastante estável, fácil de trabalhar, leve e resistente. Fiz algumas experiências com o Freijó para tampos de instrumentos archtop que funcionaram muito bem. Sua sonoridade e características físicas são similares as dos abetos mais densos. Esta madeira tem um brilho muito bonito nas peças de corte radial (quarteado). Encontrada na região Norte do Brasil.




8 comentários:

cassio disse...

Puta merda!!! que matéria fantástica!!!
uma verdadeira aula!!!
meus parabéns e sinceros agradecimentos

Henrique Andrade disse...

Muito bom!!
mas vc poderia me indicar um lugar pra comprar essas madeiras em campinas?

Luiz Costa disse...

Eu conheci um "madeireiro" que tem de tudo lá em Mairiporã-SP

Anônimo disse...

o que vc me falaria da madeira maracatiara para fundo de violão ou lateral

Unknown disse...

Gostaria de saber se você conhece uma madeira chamada falacata e se conhece onde posso encontra-la ?

walther.bernardinno@gmail.com disse...

Temos em nossa Amazonia uma diversidade de madeiras, ainda não descobertas, e as que conhecemos substitui todas as madeiras usadas pelos luthiers europeus, Lá eles dispõe apenas delas, bem como na China, eles dispõe de uma madeira fedorenta pra fazer cópias de marcar famosas. A Caimbé esta fabricando um violão de péssimo dsigne, porém com madeiras maravilhosas. Se eles confeccionassem violões, guitarrss com o toque Americano. Seriam excelentes instrumentos. Mas as madeiras que eles dispõe são a prova do que digo... confiram e me encomendem uma cópia de qualquer guitarra e eu faço tal qual um Les Paul, Lucile, etc.

Anônimo disse...

Eu tomei coragem e comprei tudo de materiais para fazer uma Gibson Les Paul, tipo Standard. porém achei melhor fazer o corpo de Cédro rosa, e o tampo de pinho araucária, o braço de louro rosa, escala de coração de negro. Ocorreu que depois que pus captadores Burstbucker 3 ponte, burstbucker 1 braço, potenciometros push pull, as incrustrações, unlays, trastes stewmac. Ela ficou valendo R$ - 16.000,00 - o mínimo que posso vender é 8.900,00, tenho a foto dela no youtube walther.bernardinno@gmail.com faça a sua, e pague apenas R$ 4,000,00 com captadores zebra alnico 5( 7,9 e 8.7 ) Fica melhor do que a original. pense!!

Anônimo disse...

Uma dúvida que eu tenho... sendo a medeira sempre bem seca, qual o tratamento adequado para evitar cupins e brocas?