terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Tipos de corte para instrumentos

theunofficialmartinguitarforum

Os cortes de madeira para a construção de instrumentos são muito importantes e auxiliam a condutibilidade sonora e a resistência mecânica entre outras coisas.
Violões, cavaquinhos, bandolins, enfim... instrumentos acústicos feitos de madeira maciça são construídos em Book Matched.
Com o intuito de manter a mesma densidade, umidade, coloração e desenho, as madeiras do fundo, laterais e tampo destes instrumentos são retiradas da mesma prancha e suas duas metades espelhadas.
Você já deve ter visto uma linha bem no meio de seu violão e já deve ter percebido que o mesmo desenho que existe de um lado se repete do outro, isto é feito para manter as mesmas características em ambos os lados, gerando um maior equilíbrio.
É claro que violões de compensado simulam esta aparência, mas em nada se comparam aos construídos com madeira maciça.
O corte ideal para se construir violões é o Quarter Sawn ou Quartier.
O Quarter Sawn gera veios paralelos, são mais estáveis e conduzem melhor a vibração.
Este não é um corte muito comum em madeireiras brasileiras pois a maioria corta as toras seguindo o corte Tangencial ou Flat Sawn, mais usado em indústrias moveleiras e que gera desenhos de cúpula de catedral em sua face.
Alguns Luthiers se utilizam deste corte por gostarem dos efeitos visuais que ele oferece, mas este não possui a mesma qualidade do Quarter Sawn.
Temos também o Rift Sawn que é um corte intermediário entre os dois outros tipos. Os veios deste corte são levemente angulados no topo mas ainda vemos linhas retas paralelas na face da prancha.
Este também pode ser usado na construção de instrumentos, possui boa qualidade de propagação, mas não é comparável à qualidade do primeiro apesar de poder ser encontrado com maior facilidade.

www.amishwarehouse.com

Para que se possa aproveitar uma tora inteira em Quarter sawn, será preciso cortar a madeira como nesta imagem.
Existem empresas especializadas na venda de madeiras para construção de instrumentos, que disponibilizam o corte correto e normalmente com a umidade controlada.
Construir com corte em Quartier não significa dizer que o resultado final será melhor em sonoridade que outro feito com corte Rift ou Flat, muitos fatores podem influenciar o resultado final, mas o corte em Quartier ou linheiro consegue reter uma melhor qualidade em todos os aspectos, afinal, mesmo dentro de uma mesma árvore existem diferenças de densidade, umidade, etc.
O Luthier que souber retirar o melhor da madeira poderá compensar estas diferenças e gerar um maravilhoso instrumento.


Clique nas fotos para ampliar


Quando falamos de sólidos (guitarras e baixos) , percebemos que grande parte das pessoas prefere o corpo inteiriço, sem colagens.
Hoje em dia as fábricas abusam das colagens fazendo instrumentos com várias peças para baratear o custo.
Não estou falando sobre instrumentos sanduichados, com madeiras diferentes... esta é uma outra abordagem!
Na verdade você vai perceber que a grande maioria dos corpos sólidos sem colagens possui algum desenho do tipo cúpula em sua face, o que denomina que este não está em Quartier.
Querendo ou não, quando isto acontece, existe um desequilíbrio entre as fibras da madeira, o que pode provocar também algum desequilíbrio na vibração e condução da onda sonora.
Outra observação é que para se construir uma guitarra ou baixo de madeira inteiriça em Quartier, seria necessário uma prancha bruta com mais ou menos 40 cm de largura, o que não é muito comum hoje em dia, já que as madeireiras cortam as árvores cada vez mais cedo.
Ao meu ver, este é um preciosismo saudável para os profissionais músicos e luthiers na busca de um instrumento cada vez melhor.
Não quero aqui desmerecer a qualidade individual dos que não possuem estas características, nem a habilidade de seus construtores ou músicos, apenas tento observar as várias faces apresentadas na construção e confrontar com os padrões de qualidade emitidos por algumas fábricas e pelo mercado, que atualmente visam muito mais o "custo x benefício" do que a boa qualidade do instrumento final.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Guia do Músico.


Estamos muito felizes com o resultado da propaganda da Beluthier no Guia do Músico (pág. 93) lançado recentemente. Com esta ferramenta estaremos mais próximos de nossos clientes.
Em breve o site do Guia do Músico também estará no ar e poderemos usufruir de toda a comodidade de contatos com músicos profissionais, serviços e lojas, on-line.
Quem quiser o guia, já pode entrar em contato com o sindicato dos músicos.
Vale conferir!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Ação da Umidade em Instrumentos Musicais

Clique na foto para ampliar
Esta semana recebi uma pergunta muito interessante: " Se eu deixar meu instrumento no case por muito tempo, ele empena?"
Grande parte dos músicos tem mais de um instrumento e normalmente guardam em cases de boa qualidade. Por mais que estes estejam bem guardados, não quer dizer que fiquem isentos da ação da umidade ou ausência dela. Fatores como o calor ou o frio também fazem diferença.
Na verdade, deixar afinado dentro do case não provoca o empeno, mas a ausência de cuidados sim.
Os instrumentos são confeccionados em madeira e madeira trabalha com calor e umidade.
Quando você deixa a sua guitarra dentro do case por longo período, afinada, em cima do armário ou de baixo da cama... não pode esquecer de controlar a temperatura e umidade dentro do case. Existem medidores de umidade e temperatura, bem como umidificadores para instrumentos musicais.
Para desumidificar normalmente se utiliza silica gel em saquinhos, comprada em lojas de produtos químicos e usada de forma muito moderada e pontual. Desumidificar requer conhecimento, pois você pode danificá-lo definitivamente caso passe do ponto.
Quando um violão, por exemplo, está com o braço empenado no sentido da tenção das cordas, a ação está alta e você percebe que a linha do cavalete também está um pouco a baixo do nível da escala, é um sinal de que pode ter sido consequencia da falta de umidade. Podemos tentar reverter este quadro umidificando o mesmo, mas dependendo do tempo em que ficou exposto ( meses) e de como a madeira trabalhou, pode ser necessário uma operação mais incisiva, como plainar parte do empeno para re-alinhar a escala. A ausência de umidade também afeta o bojo, que se for de madeira maciça pode provocar rachaduras por causa da contração. Nos violões de fábrica construidos com corpo de compensado isso é menos visível, mas com o tempo pode provocar retração das folhas e micro rachaduras superficiais.
A quantidade de umidade necessária para um bom funcionamento, tem relação com a umidade em que o instrumento foi construído. Para exemplificar, se seu violão foi construído no Rio de Janeiro e o luthier não se preocupou com o tempo e fechou seu instrumento com uma umidade relativa de 80%, a princípio você não verá diferença, pois no Rio não temos uma variação tão grande a ponto de gerar problemas mais sérios, mas, você tocará em Brasília no mês de julho e a umidade lá está em 30%, você corre grande risco. Se perceber que as cordas de seu instrumento começaram a ficar um pouco altas, é um sinal de que está havendo desidratação. Corra, umedeça toalhas e espalhe pelo banheiro, coloque algum peso sobre o braço de seu instrumento, que deverá estar em cima do case com as cordas emborcadas para baixo. Pouco antes de você ir para o show verifique a afinação e vá! Continue fazendo o mesmo após acabar de tocar e até sair do estado.
No caso contrário a este, se você vai tocar em Manaus e saiu de Brasília, o problema é menor pois a ausência de umidade é muito mais grave do que o seu aumento, o instrumento não racha na dilatação e sim na contração.
O aumento de umidade pode causar um empeno no braço chamado de back bow, o braço empena no sentido contrário ao das cordas, provocando trastejos. Neste caso o que se deve fazer é desumidificar o mesmo, verificando a sua evolução a cada 4 horas dependendo do empeno e da quantidade de silica colocada, este procedimento leva alguns dias. No bojo acontece uma dilatação, o cavalete sobe e você percebe ondulações leves no tampo e fundo.
Existem outros fatores, como: tipo de corte da madeira, construção, espessura das peças, tipos de madeiras, secagem, acabamento... que ajudam ou evitam o aparecimento de problemas.
Por mais que estas informações possam ajudar, não deixe de procurar um luthier treinado, afinal, como eu disse anteriormente você pode danificar seu instrumento sem saber...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Leques Harmônicos

Clique na foto para ampliar.

O violão é um instrumento relativamente novo quando comparado aos instrumentos clássicos como o Violino ou até mesmo a Harpa, este inclusive é o único instrumento de orquestra de cordas dedilhadas devido a sua projeção, e existem vários Luthiers no mundo que estudam uma maneira de fazer o violão clássico ter uma sonoridade perfeita.
Não acredito que o violão chegue a ter a projeção de uma Harpa, mas a sua sonoridade e timbre tem sido alvo de pesquisas profundas.
Você já deve ter percebido que existem violões com ótima sonoridade, volume, brilho e timbres ideais para a música clássica e outros, igualmente bem construídos e tão bons quanto, com um apelo mais popular mais adequados para quem toca harmonias como Bossa Nova por exemplo. O violão é um instrumento muito versátil e se adequa a vários estilos musicais, o que provoca a existência de várias possibilidades - não quero dizer com isso que não exista um consenso entre os Músicos e Luthiers sobre uma base de qualidade, mas você percebe no mercado instrumentos de diferentes tamanhos, designs, madeiras, vernizes, etc, para diferentes fins.
Não existe violão perfeito! Se existisse, não haveriam tantos modelos e todos seriam construídos da mesma maneira. Da mesma forma que não existe um ser humano igual ao outro, assim também é com os instrumentos musicais, a maior prova disso é que são feitos de madeira, e na própria árvore existem diferenças de densidade, úmidade e consequentemente de sonoridade. Sabemos que um violão é feito com vários tipos de madeira com características bem diferentes e que somadas vibram como um todo.
O músico acaba sendo o vetor que agrega determinado tipo de instrumento à sua música e acaba norteando outros colegas e construtores. No final da história, escolher um bom Violão depende da qualidade do músico e de seu estilo.
Encontrei estes desenhos com vários tipos de leques harmônicos de Luthiers famosos que representam bem estas diferentes possibilidades. Todos visam o mesmo fim, o Violão perfeito.
Tente escolher o seu!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Blindagem



Atendendo a pedidos, bloguei as fotos para ilustrar uma boa blindagem, feita com folha de cobre dura, mais espessa, condutiva e totalmente estanhada para uma vedação perfeita com o escudo, esta gaiola se assemelha a gaiola de Faraday e permite uma blindagem muito eficaz.

A Gaiola de Faraday foi um experimento conduzido por Michael Faraday para provar que uma superfície condutora eletrizada possui campo elétrico nulo em seu interior dado que as cargas se distribuem de forma homogênea na parte mais externa da superfície condutora, como exemplo podemos citar o Gerador de Van de Graaff.

No experimento de Faraday foi utilizada uma gaiola metálica, que era eletrificada e um corpo dentro da gaiola poderia permanecer lá, isolado e sem levar nenhuma descarga elétrica.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mythbuster: Tirante X Empeno

Olá amigos.
Estou aqui novamente para questionar mais um mito popular do meio musical.
Quantos de vocês já ouviram dizer que o Tirante, aquele ferro que existe dentro do braço de milhares de instrumentos de corda, evita e até mesmo tira o empeno de braços?
Vamos abordar este assunto com moderação, não como aqueles que bebem e dirigem.
O tirante é um ferro que possui uma porca na ponta e normalmente é instalado com uma certa curvatura dentro do braço (tirantes simples one way). Esta pequena porca, pode ficar tanto na mão do instrumento, como na parte traseira do braço e serve para tencionar o braço, no sentido contrário ao das cordas, daí a suposição de que ele tem super poderes.
Quando a corda vibra ela cria uma bolsa, para que esta bolsa não encoste no traste, o braço precisa ter uma leve curvatura, quem dá esta curvatura é o tirante. A curva é ajustada de acordo com a tensão das cordas, isto acontece muito quando passamos de uma corda 0,9 para uma 0,10 por exemplo.
Quando a madeira do braço começa a ceder, ou empenar, o músico recorre ao tirante para compensar aquele maldito trastejo que ele não sabe de onde vem e que apareceu do nada. Sem saber que pode estar cometendo um erro, pois o braço pode ter trabalhado com a umidade ou com o calor, ele aperta o tirante para compensar a altura das cordas.
Caso o braço esteja empenando e o tirante sendo usado para segurar este empeno, o próprio com o tempo empenará com o braço e comerá o canal por dentro, chegando o momento de perder a ação ou até, alcançar o ponto de ruptura da rosca do tirante.
Neste estágio, a recuperação do braço é bem mais séria e delicada, podendo vir inclusive a danificá-lo irremediavelmente.

O bom músico deve saber como as mudanças de temperatura e umidade alteram o seu instrumento, isto também fará diferença na hora de regular o tirante, afinal, madeira trabalha.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Beluthier : Novo horário de atendimento ao cliente

Comunicamos aos nossos clientes que, em virtude do grande número de instrumentos em restauração e regulagem, estaremos trabalhando em novo horário para atendimento ao público: das 13:00 hs às 19:00 hs.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mythbuster: Encaixe do braço X Sustain


Tenho percebido que muitos músicos chegam no meu ateliê com uma "certeza", a de que o braço inteiriço ou through body neck, dá mais sustain do que o braço parafusado. Outros dizem, que o braço colado é o melhor de todos, dando inclusive como exemplo, as guitarras Gibson e a maioria dos violões!
De qualquer forma, existem muitos fatores envolvidos para que um instrumento tenha mais ou menos sustain: tipos de madeira, densidade, partes metálicas, formato, o Luthier que construiu e etc. Seria leviano acreditar que apenas o encaixe, seria o único responsável pelo sustain, até porque, o instrumento vibra como um todo.

Fazendo minhas pesquisas para colocar mais informações no blog, encontrei uma matéria justamente sobre este assunto, e que acredito, deixar nítido tais diferenças. Como não tenho permissão para publicar a matéria na íntegra, irei direto ao ponto.
Segundo o luthier R.M. Mottola, o sistema de encaixe que dá maior nível de sustain é o de braço parafusado com espaçador, em segundo lugar, ficou o braço parafusado sem espaçador, em terceiro, o braço colado, e em quarto lugar... imagine, o through body neck.

Este experimento foi feito com análise espectrográfica e mediu as duas cordas Mi, demostrando em gráficos explicativos os valores de sustain em segundos, bem como, a descrição detalhada de todo o experimento. Ainda assim, ele sugere que este estudo é muito mais profundo do que apenas os diferentes tipos de construção e encaixes de braço, sendo um vasto campo para estudos adicionais.

sábado, 15 de novembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Menino Prodígio.

Fiquei perplexo, ao me deparar com este menino, de apenas 11 anos! O nome dele é: Sungha Jung. Como não tenho palavras, continuo apreciando, afinal este vídeo, vale bem mais que qualquer comentário.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Dovetail guitar!


Seguindo a linha de instrumentos interessantes, dê uma olhada neste violão construído pelo luthier Howard Klepper. Você pode até não gostar, mas não pode negar que é uma obra de arte... no mínimo, deu um trabalho danado pra fazer!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Falando de Têmpera


O conjunto de operações de aquecimento do aço sob controladas temperaturas, tempo, atmosfera e velocidade de resfriamento é chamado de tratamento térmico. Os diferentes tipos de tratamento têm como objetivo alterar as propriedades do aço ou conferir determinadas características ao metal.

Enquanto os aços de baixo e médio carbono, geralmente, são utilizados após serem forjados ou laminados, os aços de alto carbono e com elementos de liga necessitam ser submetidos a tratamentos térmicos antes da respectiva aplicação.
Recozimento, normalização, têmpera, revenimento e coalescimento são os tipos de tratamento térmico mais comuns. O processo de têmpera será o foco dessa edição.

O objetivo da têmpera está na obtenção de uma microestrutura que proporcione ao aço propriedades elevadas de dureza e resistência mecânica. O processo consiste no aquecimento até a temperatura de austenitização, ou seja, entre 815 °C e 870 °C. O controle da temperatura durante o aquecimento, nos fornos, é feito por pirômetros. Nas forjas o mecânico identifica a temperatura pela cor do material aquecido (ver quadro).

É importante ressaltar que o aquecimento deve ser lento no início, a fim de não provocar defeitos no metal. A manutenção da temperatura varia de acordo com a forma da peça e o tempo nessa fase deve ser bem controlado. Em seguida, o aço é submetido a um resfriamento rápido, provocando a obtenção de uma estrutura martensítica.

O processo provoca algumas deficiências no aço, como a redução da ductilidade e da tenacidade, além de tensões internas que podem ocasionar deformação, empenamento e fissuração. Por conta disso, é recomendável que o aço temperado seja submetido ao revenimento.


DIFERENTES VARIAÇÕES

Os meios líquidos e gasosos são os mais utilizados para o resfriamento do aço. Entre os líquidos estão a água, água com sal ou aditivos cáusticos, óleo ou soluções aquosas de polímeros. Entre os gasosos estão o próprio ar e os gases inertes, como nitrogênio, hélio e argônio. Os meios e as velocidades de resfriamento resultam em diferentes variações de têmpera.

Têmpera direta: processo mais utilizado, consiste no resfriamento rápido, direto da temperatura de austenitização;
Têmpera em tempo variável: a velocidade de resfriamento é alterada durante o processo, de acordo com o resultado esperado. Normalmente, utilizam-se dois meios diferentes de resfriamento;

Têmpera diferencial: apenas algumas áreas da peça de aço são temperadas, as demais recebem isolamento. Utiliza-se para peças que necessitem de regiões duras e algumas áreas moles.

Têmpera da camada cementada: restrita à camada periférica da peça cementada.Utiliza-se para peças nas quais o núcleo deve apresentar durezas baixas;

Têmpera direta de cementação: para peça cementada diretamente da temperatura de cementação sem resfriamento intermediário;

Têmpera do núcleo; Utiliza-se para peças cementadas, nas quais o núcleo deve apresentar durezas médias;

Têmpera dupla: realizada em duas etapas. A primeira a partir da temperatura de têmpera do material do núcleo e a segunda a partir da temperatura da têmpera do material da camada cementada. Utiliza-se para peças com camadas profundas de cementação, com a finalidade de aumentar-se a tenacidade do núcleo.


TÊMPERA SUPERFICIAL

Quando o objetivo é criar apenas uma superfície dura, resistente à abrasão, é mais conveniente optar pela têmpera superficial. Esse método, que substitui a têmpera normal, é aplicado principalmente em peças de máquinas. Existem várias razões para que o endurecimento superficial seja escolhido, e não o endurecimento total. São elas:

  • Dificuldade de tratar peças de grandes dimensões em fornos convencionais;
  • Possibilidade de endurecer apenas as áreas críticas, como dentes de engrenagens, grandes cilindros, etc;
  • Possibilidade de melhorar a precisão dimensional de peças planas, grandes ou delgadas;
  • Possibilidade de utilizar aços mais econômicos, como aço carbono;
  • Diminuição dos riscos de aparecimento de fissuras originadas no resfriamento, após o aquecimento. Com a opção pela têmpera superficial é possível obter superfícies de alta dureza e resistência do desgaste, boa resistência à fadiga por dobramento, boa capacidade para resistir cargas de contato e resistência satisfatória ao empenamento.

As temperaturas de aquecimento devem proporcionar a autenitização do aço, pois só assim é possível obterá martensita no resfriamento posterior. As temperaturas, os meios de resfriamento e as durezas resultantes para aços carbono são:

0,30%C - 900-975 °C – água – 50 RC
0,35%C – 900 °C – água – 52 RC
0,40%C – 870-900 °C – água – 55 RC
0,45%C – 870-900 ºC – água – 58 RC
0,50%C – 870 °C – água – 60 RC
0,60%C – 850-875 °C – água – 64 RC
- óleo – 62 RC


Tabela:




Fontes:
Ciaverini, Vicente - Aços e Ferros Fundidos – 7ª edição – 2002
InfoMet – www.infomet.com.br
Senai – Departamento Regional do Espírito Santo

Construindo Plainas de Madeira

Por Diego de Assis

Para construir uma plaina, a primeira coisa a fazer é adquirir a lâmina e adaptar sua medida de largura ao projeto, com certa folga para o encaixe.
Fiz estas plainas a partir de um artigo da revista Popular Mechanics, que oferece o projeto de três plainas básicas, de acordo com as dimensões das antigas plainas de madeira.
Utilizei ferramentas elétricas estacionárias e manuais. O uso de equipamentos mais sofisticados confere certa rapidez e conforto no processo de fabricação, mas estas plainas podem ser confeccionadas apenas com ferramentas manuais, com a mesma precisão. Neste artigo envolvi a construção das três plainas, apresentando de forma resumida as etapas similares de construção.

O desenho destas plainas é arrojado e simples. São três tipos básicos: a plaina de afagar (a menor), o rabote (a do meio) e a garlopa (a maior).

Fiz algumas adaptações, embora tenha reproduzido com fidelidade o perfil das ferramentas. Usei Roxinho (Peltogyne spp), madeira extremamente dura e pesada. Por isso dispensei a sola da base, que não é absolutamente necessária. É importante que a madeira esteja bem seca.
Preferi atravessar um pino de latão para segurar a lâmina, diferente da peça (cross pin) utilizada no projeto, de madeira. Fiz um punho para a garlopa (a plaina maior), que tornou sua utilização mais segura. Usei lâminas Stanley, inglesas.
Diferente da plaina metálica, a plaina de madeira é leve e pode ser facilmente retificada. Mas é de difícil regulagem, feita de acordo com a habilidade de cada artífice.

Para começar, a madeira deve ser perfeitamente retificada. Utilizei o desempeno e o desengrosso (plainas elétricas estacionárias). Aproveito e faço duas plainas com esta peça de roxinho.

Em seguida separei a peça na serra circular. As peças de menor espessura serão as laterais das plainas. A posição correta para o corte é no sentido tangencial aos anéis anuais.

A marcação é feita transferindo o desenho com papel carbono para a peça do meio (a peça entre as laterais). Este é o desenho da plaina de afagar.

Então cortei a peça na serra circular, com cuidado para não apagar a marcação.

Retifiquei as peças na lixadeira de disco, com lixa de grão 80.

Marquei e cortei as laterais da plaina, de acordo com a abertura da base (saída de lâmina), cuidadosamente aferida com paquímetro.

Estas são as peças prontas para a colagem.

O material é preparado: grampos abertos, protetores de compensado
forrados com jornal e a cola.

Antes de aplicar a cola, as faces foram lixadas contra o veio (arranhadas), para limpar e aumentar a aderência das peças.

Acomodei e grampeei as peças por 24 horas.

Em seguida a peça é modelada, de acordo com o desenho. Na imagem, o rabote após a secagem da cola.

Fiz a marcação nas laterais da plaina…

E na serra-de-fita a peça é cortada, com o cuidado de não apagar a marcação.

A forma básica da plaina está pronta.

As partes convexas são acabadas na lixadeira de disco.

E as partes côncavas são acabadas na tupia, com um cilindro de lixa no eixo.

As arestas (com exceção das arestas da base) foram chanfradas com uma tupia manual. Preferi fixá-la à bancada para melhor manipulação. Utilizei uma fresa para corte em 45º.

Finalizada esta etapa da construção já podia ter idéia das belas peças que estava conformando.

Além da raspilha, para retificar a base utilizei tacos de lixa, de diversos grãos. Na imagem a garlopa, a maior das três plainas.

Com o auxílio de duas réguas verifiquei a retificação da base, a partir das extremidades. As réguas devem estar perfeitamente paralelas.

Com uma sobra de jacarandá fiz a palmeta, de acordo com o projeto. Para o corte utilizei a serra de rodear. Para modelar, formão, lima e raspilha.

Após cuidadosa marcação é feito o furo para a passagem do pino de latão (cross-pin). Utilizei a furadeira de coluna e uma broca chata. A broca deve penetrar as laterais de uma só vez; furar a peça duas vezes, de um lado e outro aumenta a possibilidade de erro.

Para a garlopa adaptei um punho de imbuia, copiado de uma plaina Stanley. O corte foi feito com tico-tico manual e furadeira para as curvas mais acentuadas. A grã da madeira deve estar atravessada em relação ao comprimento do punho. O furo para o parafuso maior é feito antes do corte.

Modelei o punho com grosa, lima , raspilha e lixas dos grãos 100, 150 e 220.

Estas são as peças que compõe a plaina: lâmina com capa de ferro, pino de latão, parafusos de latão, palmeta de jacarandá, punho de imbuia e corpo de roxinho. No acabamento das madeiras apliquei seladora de nitrocelulose.

O punho foi fixado apenas pelos parafusos. Assim, se for necessário pode ser retirado.

Para sua regulagem é preciso encaixar com firmeza a palmeta, e depois empurrar a lâmina com um pequeno martelo, delicadamente, controlando sua posição em cada golpe.

Então, as três plainas básicas. Tem boa performance, embora sejam exigentes na regulagem. Cumprem de forma precisa as funções de corte e retificação de peças, além de apresentarem um belo design em sua forma.

http://diegodeassis.wordpress.com

Limpeza Eletrolítica

por Diego de Assis

O ferro (lâmina) e a capa de ferro estavam coladas, com resíduo de tinta. O parafuso estava emperrado. Para limpeza utilizei o banho eletrolítico, técnica de remoção de ferrugem e outros resíduos que evita a necessidade de uso de abrasivos pesados, como escovas de aço e lixas para metal. A técnica é simples e prática, consistindo basicamente na imersão da peça a ser limpa em substância que permite a passagem de corrente elétrica.

Durante este processo, átomos de hidrogênio são desprendidos, e “limpam” a peça, removendo toda ferrugem. Após o banho o conjunto ferro/capa/parafuso estava completamente solto, sem haver necessidade alguma de esforço para desmontar estas peças.

O ferro antes do banho…

…e depois!

Montei um aparelho para limpar lâminas e pequenas peças, com alguma sucata e uma fonte de alimentação. Experimentei utilizar uma fonte de um velho computador, na saída 12V-12A (fio amarelo). O resultado foi ótimo e o custo zero.

Para fazer a solução utilizei carbonato de sódio, conhecido no Brasil como “barrilha”, produto usado para corrigir o Ph da água de piscinas, encontrado nas lojas do ramo. São necessárias três a quatro colheres de sopa para um litro d’agua. Os eletrodos fixos podem ser feitos de alguma lata ou um vergalhão, basta ser de ferro. Estes eletrodos têm contato com o pólo positivo (fio amarelo). O pólo negativo (fio preto) tem contato com a peça a ser limpa, por isso cuidado: a inversão dos pólos pode danificar permanentemente a peça.

Esta operação deve ser feita em ambiente arejado, de preferência ao ar livre, pois a eletrólise desprende gases de hidrogênio, altamente inflamáveis. Após o banho eletrolítico é preciso retirar o óxido negro do ferro, com água, escova e sabão. Para terminar a limpeza utilizei álcool, que tem a qualidade de ser volátil, o que ajuda a secar a peça. Imediatamente após a secagem apliquei óleo de máquina na lâmina.

http://diegodeassis.wordpress.com

domingo, 12 de outubro de 2008

Cliente Vip!



Foi com grande prazer, que recebi esta semana na Beluthier, o cantor e compositor Felipe Rangel. Felipe havia me pedido para salvar um Gibson Chat Atkins 1981, que havia comprado pela internet e que estava em estado deplorável.
Apesar de ter resolvido um grave problema elétrico, o violão apresentava uma pintura duvidosa e um acabamento sofrível.
Mesmo tendo aconselhado a se desfazer do tal instrumento, resolvi acreditar no potencial do dito cujo e aceitei o desafio de restaurar o violão da cabeça aos pés.
"É Felipe, você tinha razão... valeu a pena!"

Parceiros Expomusic



A Expomusic é uma feira de negócios, isso todos nós sabemos, mas também é um lugar onde encontramos amigos. Na primeira foto, eu estou com o Augusto da Cabrera Captadores, foi uma boa surpresa rever este amigo e prestigiar a qualidade de seus produtos, em breve estaremos desenvolvendo uma boa parceria com a Beluthier.
Na foto seguinte, temos a presença do Léo da SG Strings, que também fez questão de fotografar com o boné da Beluthier, mostrando que o foco da parceria, é atender cada vez melhor aos nossos clientes.